Aquele que acredita apenas na ciência é tão alienado quanto aquele que acredita apenas na religião.
Não importa quantas fotos
eu tire de você.
elas nunca serão tão belas
quanto aquelas
que meu coração
captura a olho nu
(ruca s.)
Havia um misticismo de que eu iria vomitar,
já no início da noite.
E discorremos sobre várias histórias nojentas,
antes e depois da feijoada.
E agora
eis-me aqui
devolvendo à natureza
até
o último baguinho
de arroz
que
houver
no meu
or
ganismo.
Vou mudar de nome essa noite. Me torno uma pessoa diferente para as estatísticas numerológicas ou qualquer coisa possa prever qualquer palavra que eu diga, qualquer movimento que eu faça no meio do ar, qualquer pensamento que surja.
Agora, sem esse nome, sou qualquer um que transcende os próprios sentidos, me tornando um só com as ondas sonoras que entram pelos meus ouvidos. As orelhas, prediletos captadores e decodificadores das sensações.
O tato se transforma em algo parecido com seda de um lençol que posso tocar agora mesmo com minhas mãos físicas através do pensamento conduzido pelo som.
Hoje não quero ser somente eu mesmo, pois eu mesmo não sou somente eu. E essa música que entra pelos meus ouvidos sou eu, e ela é o único som que preenche meu completo silêncio interno.
Uma pena no chão, pequena. O gato vê a pena. Cheira a pena. A pena gruda no fucinho do gato. O gato fica agoniado. Se sacode. A pena cai no chão.
O vento move a pena.
O gato vê a pena. Cheira a pena. A pena gruda no fucinho do gato… (modo de loop infinito)
Faz tempo que não escrevo de verdade. Posso ter trabalhado de jornalista durante os últimos meses, mas não considero o texto jornalístico algo verdadeiro. Quase nunca consigo colocar meu coração ali. Não de uma forma sincera. Muito menos completa.
O coração é uma prisão que o pensamento racional consegue transpor com muita facilidade. Muita facilidade, claro, se você não está realmente apaixonado. Ou se pensa não estar, e até chega a racionalizar cerca de 87% daquele sentimento, mas de repente os olhos adquirem um brilho não desejado e as mãos tremem de leve, de leveza incontrolável. A verdade é que os sentimentos ficam proporcionalmente mais evidentes à medida que você tenta controlá-los.
Faz tempo que não escrevo. Descobri que meus pensamentos vão muito mais além do tempo e da velocidade que eu tenho disponíveis na matéria quando escrevo. São como uma corrente elétrica. Sim, de fato são. Rápido e intenso. Se assemelha, de certa forma, com a sensação física de um orgasmo.
Não pretendo terminar esse texto. Perder meu tempo escrevendo mais palavras. Leia meus pensamentos, tudo está lá.
Não estou aqui para fazer esse tipo de caridade que você parece me pedir. Certamente não.
Ao contrario de aparentar ter sido vítima de uma explosão, com diversos pedaços espalhados pelo chão da sala, o coração se desfaz aos poucos, parte a parte, da mesma forma que a tinta desgastada despenca devagar pelas paredes de uma casa velha.
E assim como a tinta se desprende, os sentimentos escorregam pelas paredes pessoais com a umidade excessiva do recinto. Também chove muito, quase não faz sol, e vai demorar para que as paredes úmidas sequem a ponto de admitirem nova pintura.
O único e maior problema é esperar a primavera chegar em completo silêncio.
Não discrimino meu quarto por ele ser assim, bagunçado.
É o jeito dele, tenho que aceitar.
(ruca s.)
Fiz um poeminho
já faz tempo
fiz pra você
estava guardadinho
resolvi mostrar
mas continua o mesmo
o poeminho que sinto de você em mim
(ruca s.)
